Abordagem sistêmica

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Abordagem sistêmica — uma direção metodológica do conhecimento científico e da atividade prática, baseada na consideração de objetos como sistemas — complexos integrais de elementos interligados, especialmente aplicável a objetos complexos. É importante notar que a abordagem sistêmica atua mais frequentemente não como uma teoria rigorosa, mas como um conjunto de princípios metodológicos e diretrizes heurísticas. Ela contribui para a análise, modelagem, síntese de conhecimento e gestão de tais objetos em diversas áreas do conhecimento e da prática.

Razões para o surgimento

A abordagem sistêmica surgiu como uma etapa natural no desenvolvimento da ciência, que enfrentou as limitações dos métodos clássicos (elementarismo, mecanicismo) ao estudar objetos complexos e em desenvolvimento (biológicos, sociais, técnicos). Os métodos clássicos, focados na decomposição do todo em elementos, mostraram-se insuficientes para compreender a integridade, as inter-relações, a organização e a dinâmica de tais objetos, bem como para resolver problemas práticos complexos (gestão, projeto) que se tornaram relevantes na segunda metade do século XX.[1]

O surgimento da abordagem sistêmica também está ligado à evolução geral da reflexão científica (a virada metodológica): a transição do ontologismo (foco no objeto) e do gnoseologismo (foco na relação sujeito-objeto) para o metodologismo, onde a ênfase se desloca para os meios, métodos e organização da atividade cognitiva e prática. Essa orientação permite identificar a insuficiência das abordagens anteriores e contribui para a construção de novos objetos de estudo e programas de pesquisa.

Princípios fundamentais

A abordagem sistêmica pressupõe:

  • a consideração do objeto como um sistema integral, composto por elementos interligados e interdependentes que formam sua organização e garantem sua integridade;[2]
  • a análise da estrutura (elementos e suas conexões essenciais, incluindo as formadoras do sistema) e das funções do sistema, bem como sua interação com o ambiente externo;[3]
  • a consideração da hierarquia dos sistemas, onde cada subsistema pode ser visto como um sistema de nível inferior, e o próprio sistema faz parte de um supersistema;
  • o deslocamento do foco da análise das características materiais, “coisificadas”, para o estudo das conexões, relações, estrutura, organização e gestão no sistema;
  • a construção de modelos generalizados e específicos de sistemas, incluindo modelos probabilísticos que refletem a natureza estocástica do comportamento de muitos sistemas;
  • a distinção de duas ênfases metodológicas na pesquisa: 1) o movimento de uma totalidade dada para a identificação das conexões que a garantem e dos mecanismos para sua manutenção; 2) o movimento de uma conectividade dada (tipos de conexões) para a definição das fronteiras e propriedades do sistema integral;
  • o uso de métodos e modelos interdisciplinares para estudar sistemas de naturezas diversas.

Princípios da abordagem sistêmica

Os princípios-chave da abordagem sistêmica incluem:

  • Integridade e Emergência — o sistema é considerado como um todo unificado, possuindo novas propriedades emergentes que estão ausentes em seus elementos individualmente e não podem ser reduzidas à sua soma;
  • Hierarquia — os sistemas são compostos por subsistemas e fazem parte de supersistemas, formando uma estrutura hierárquica;[4]
  • Estrutura — análise da organização interna do sistema, que inclui não apenas os elementos, mas também as conexões determinantes entre eles;[5]
  • Funcionalidade — o estudo das funções do sistema e de seus elementos, direcionadas para alcançar os objetivos do sistema ou para manter sua existência;
  • Desenvolvimento — os sistemas são vistos como dinâmicos, sujeitos a mudanças e desenvolvimento ao longo do tempo;
  • Interação com o ambiente — a consideração de que o sistema não existe de forma isolada, mas troca matéria, energia e informação com o ambiente externo.[6]

Aplicação

A abordagem sistêmica é amplamente aplicada em diversas áreas, incluindo:

  • ciência e tecnologia (especialmente no projeto e análise de sistemas complexos (ver Engenharia de sistemas))
  • economia e gestão
  • ciências sociais
  • ecologia e biologia

A aplicação dos princípios da abordagem sistêmica contribui para a identificação de uma realidade cognitiva mais ampla e para o desenvolvimento de novos esquemas de explicação para fenômenos complexos.

História do desenvolvimento

As ideias de investigação sistêmica de objetos podem ser rastreadas desde a filosofia antiga (Platão, Aristóteles) e a filosofia da Idade Moderna (Kant, Schelling), e foram desenvolvidas nos trabalhos de K. Marx, C. Darwin e outros. As bases da abordagem sistêmica moderna foram estabelecidas em meados do século XX no âmbito da teoria geral dos sistemas, desenvolvida por Ludwig von Bertalanffy. Na União Soviética, uma contribuição significativa para o desenvolvimento da abordagem sistêmica foi feita por I. V. Blauberg, V. N. Sadovsky e E. G. Yudin, que deram um contributo substancial para a elaboração dos fundamentos filosóficos e metodológicos da pesquisa de sistemas, baseados no princípio da sistemicidade e associados, em particular, ao materialismo dialético.

Literatura:

  • Blauberg, I.V., Yudin, E.G. A Formação e a Essência da Abordagem Sistêmica. Moscou, 1973;
  • Sadovsky, V.N. Fundamentos da Teoria Geral dos Sistemas. Análise Lógico-Metodológica. Moscou, 1974;
  • Uemov, A.I. A Abordagem Sistêmica e a Teoria Geral dos Sistemas. Moscou, 1978;
  • Blauberg, I.V. O Problema da Integridade e a Abordagem Sistêmica. Moscou, 1997;
  • Yudin, E.G. Metodologia da Ciência. Sistematicidade. Atividade. Moscou, 1997;
  • Pesquisas Sistêmicas. Problemas Metodológicos. Anuário. Moscou: Nauka;
  • Churchman, C.W. The Systems Approach. N.Y., 1968;
  • Trends in General Systems Theory / Ed. G. Klir. N.Y., 1972;
  • General Systems Theory. Yearbook, vol. 1–30. N.Y., 1956–85;
  • Critical Systems Thinking. Directed Readings / Ed. R.L. Flood, M.C. Jackson. N.Y., 1991;

Notas

  1. “As principais categorias do pensamento estão mudando... em todas as áreas do conhecimento moderno, somos forçados a lidar com a necessidade de analisar objetos complexos, definidos como 'totalidades' ou 'sistemas'. Isso leva a uma reorientação fundamental do pensamento científico.” — L. von Bertalanffy, Pesquisas Sistêmicas. Anuário de 1969. pp. 31-32.
  2. “...os objetos são considerados como sistemas, ou seja, como conjuntos de elementos interligados que atuam como um todo único.” — I. V. Blauberg, V. N. Sadovsky, E. G. Yudin, Pesquisas Sistêmicas. Anuário de 1969. p. 8.
  3. “[As tarefas da abordagem sistêmica incluem] o problema da estrutura hierárquica dos sistemas e a busca pela especificidade resultante da interconexão dos diferentes níveis do objeto sistêmico;” — I. V. Blauberg, V. N. Sadovsky, E. G. Yudin, Pesquisas Sistêmicas. Anuário de 1969. p. 17.
  4. “A complexidade e a diversidade de elementos, conexões e relações de um objeto como sistema determinam a estrutura hierárquica do sistema...” — V. N. Sadovsky, Fundamentos da Teoria Geral dos Sistemas. p. 17.
  5. “Um ponto essencial na caracterização de qualquer sistema é a identificação... de conexões e relações formadoras do sistema. São essas conexões e relações que expressam as propriedades integrais e integrativas do sistema, definindo sua especificidade.” — V. N. Sadovsky, Fundamentos da Teoria Geral dos Sistemas. p. 83.
  6. “A investigação de um objeto como sistema, em termos metodológicos, é inseparável da análise de suas condições de existência e da análise do ambiente do sistema.” — V. N. Sadovsky, Fundamentos da Teoria Geral dos Sistemas. p. 17